quinta-feira, 5 de julho de 2012

Histórias nossas.

Tanto acontecimento. Tanta falta de apego. Tudo parece estar bem, não é mesmo? E imagino que esteja mesmo. A verdade é que tanta coisa boa já me aconteceu que de monótona minha vida não tem nada. Lembra do dia antes do vestibular? O pri mei ro vestibular. Fui fazer a prova com bastante sono (r). E o segundo vestibular fui fazer com bastante sono, também. Mas, nesse foi diferente. A culpa foi daquele macarrão muito bom que eu fiz, pena que não lembro a receita. Não me lembro bem, mas acho que fomos ao bar na sexta. Acendemos incenso, né (g)? O terceiro vestibular... Ahhhhh, nesse eu dormi cedo. Troquei umas mensagens e, antes das 20 horas já estava dormindo. Bem melhor fazer prova sem sono, viu? Mas, aprontar é melhor ainda (risos). Vestibulares à parte.
 Hey, menino, quantas vezes você me disse que eu sou boa sozinha, e que somos melhores quando estamos juntos? Inúmeras. É verdade, sou muito boa sozinha. Descubro-me mais. "Finjo menos orgasmos", não é mesmo? É, garoto, você tem razão, somos melhores quando estamos juntos. É que tem umas coisas que foram feitas para serem vividas uma vez só. Quando estou sozinha, sou boa. Mas, roubam a minha caixa de lápis de cor mais facilmente. E, quando estamos juntos, pego emprestado seus lápis que têm as minhas cores favoritas. É, somos melhores juntos porque compartilhamos felicidade. Protegemos um ao outro, não deixamos que levem nossas cores. É, menino, o destino nos afastou. Você sente frio aí, eu sinto calor aqui. Mas você sabe que a minha caixa de lápis tem 24 cores, né? O único problema, é que o vermelho já está pequenininho de tanto apontar. Mas, ainda tenho cor pra nós. 






















Para alguém que está a 300 quilômetros de distância.

2 comentários:

  1. Você saiu da sala e derrubou a minha caixa de lápis. Quando fechou a porta e olhou pra trás pra se despedir, menina, você não olhou pro chão, não foi? Mas eu olhei. Olhei e vi meus lápis espalhados ao meu redor. A porta se fechou e a tarefa de juntar novamente, um por um, esses toquinhos de madeira que coloriam os meus desenhos ficou toda em minhas mãos. Sabe o que eu fiz, então? Falhei.
    Não consegui encontrar todos os lápis. Sempre tem um filhinho da putinha que vai parar lá embaixo do armário, né, aquele bem pesado que você não consegue arrastar sozinho. Se tivesse alguém, ao menos, pra me ajudar a empurrar... Fiquei neste impasse, aguardando ajuda, até que a porta se abriu uma vez mais. Sabe quem era, menina? Não era você. Era um espelho.
    Ele veio ao meu encontro, me sorriu sincero, me olhou nos olhos. Trajava roupas distintas, tinha um bom corte de cabelo, era alegre e bem instruído. Um espelho moderno, bem apessoado, quase uma idealização da minha imagem. Me ajudou a arrastar o armário e consegui reunir, uma vez mais, todos os meus lápis. Foi então que eu percebi - olhe que surpresa! - que alguns estavam com a ponta quebrada. Quem me emprestaria o apontador?
    Olhei para o espelho, ele me olhou de volta. Não tinha apontador consigo, coitado. Olhei pro chão, cabisbaixo, sem saber direito como agir. É engraçado como eu olho pro chão e descubro coisas novas, não é? Dessa vez eu vi uma rachadura no espelho. Imperfeito, afinal? Ora, do que adianta ser idealizado se é trincado?! Perdi o encanto, já não era mais novidade. Trincado eu já sou, e olha que nem me apresento como um espelho! Aquele ali não me serviria mais.
    Agradeci a ajuda do estranho ser, juntei meus materiais e deixei a sala. Segui pelos corredores encarando a caixa de lápis. Onde eu encontraria alguém para me emprestar um apontador? Se de tudo não conseguisse pensar em ninguém, será que uma faca afiada seria o bastante? Passei pelos rebeldes, pelos excluídos, pelos vulgares e pelos metidos. Ninguém, ninguém, ninguém. Recebi, então, uma mensagem sua. Ei, menino, ainda tenho cor para nós, você me disse. Sentei e esperei, enfim, que você chegasse com suas cores. Minha caixa? Esta já não teria mais serventia.

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    1. Os lápis serão apontados, um a um. Apontador, faca afiada, estilete velho. Juntos, sempre damos nosso jeito, né? Acalme-se, garoto. Ainda há tempo. Sua caixa de lápis não pertence mais só a você, desde que eu entrei na sua vida: pertence a nós. Pontas quebram, apontadores somem: são os piores tempos. Então, facas afiadas aparecem _quase sempre, tentando nos assustar_ e trazem a solução: os lápis são apontados, recolorem sorrisos, desenham novos amores. Nessa vida, a única certeza que tenho é que cada um possui uma caixa de lápis de cor, e que algumas cores precisam de complemento. As caixas se completam como a minha e a sua, entende? Sempre será a sua. Contaram-me, em sonho, que, para as cores, não existe distância alguma. Elas continuam se completando. E, quanto aos espelhos que aparecerão... Eles nunca formam imagens reais. Você é único e, só por isso, é capaz de enxergar a trinca que existe neles. A imagem falsa se desfaz. No entanto, lembre-se sempre do armário pesado... Espelhos surgem, geralmente, com a missão de refletir a nossa vontade de mudança e, faz vigorar a força de nossa alma, para que consigamos nos recompor de uma situação difícil. Depois disso, não mais precisamos deles: enxergamos a trinca, o reflexo se finda. É assim, garotinho meu. Acalme-se, acenda um incenso. Os lápis já foram recolhidos, esse é um grande passo. Não houve falha alguma. Descanse um pouco. Logo terá sua caixa de lápis com pontas afiadas. É promessa de honra. É promessa de 'dedinho'!

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