Já fui a tantos lugares, experimentei tantas dores. Senti variados aromas e odores. Amei homem, mulher e criança. Fui filha e mãe. Me senti coitada, heroína, apaixonada. Fiz caras, bocas e caretas. Gritei poesia e palavrão. Conheci gente pobre, rica, desgraçada, bem sucedida, adorável e insuportável. Fui pra lugares que não pareciam comigo. Falei 'oi' pra desconhecido, ignorei gente importante. Tive dois cachorros e uma tartaruga. Tive uma mãe, um pai. Escrevi história minha e inventada. Sorvete. A sequência não existe, nem a lógica. Os fatos são independentes como em literatura de cordel, depois se unem e formam um conto novo. Partes da minha vida. Sou nova, vivi nada ainda... Saí das fraudas faz pouco tempo. Desesperei, chorei, ri, roí unha e arranquei casquinha de machucado. Tenho fotos em que estou rindo, chorando, emburrada, aborrecida, insatisfeita, soltando foguetes. Comprei coisas que nunca usei, umas estão guardadas, outras eu doei. Senti pena. Escrevi cartas. Fiz careta. Li muitos livros. Reclamei e agradeci. Ciclos se formaram, se desfizeram. Vi nascimentos. Quis ser gente grande. Fiz coisas que não devia. E sempre, no fim de tudo isso, só me resta eu mesma. Pessoas vão, voltam, ficam, somem. Só resta pra gente, a gente mesmo. Daí arrumamos o que dá, fazemos planos pro futuro e esperamos o que ainda vem, torcendo pra que seja boa coisa.

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