Tudo perfeito. Controlado. Premeditado. O Sol raiava no jardim, havia flores, sorrisos. Crianças correndo por todos os cantos. Calmaria. Estava então tudo como o planejado, tudo como o esperado: camas ainda por fazer, a mesa do almoço já estava posta. Tudo como o planejado. Ouvia-se risinhos de menina: era a pequenina. Tão doce, tão linda. Aproveitava cada minuto no jardim, era verão. E tudo que se via em seu delicado rostinho era a transparência de sua euforia: não havia preocupações, obrigações, apenas brincava e aguardava o chamado da mamãe.
Mas então, tudo desaparecera. Não ouvia-se mais a voz aguda e feliz da pequenina. E tudo era sombrio. Em questão de segundos os raios de Sol congelaram-se: tudo era sombra, penumbra. Aquela sombra a puxara, a machucara. Onde estava pequenina? Pequenina sangrava pela dor que sentia. Sangue que vinha do interior de sua essência e sofria. Sofria pela vida que não foi vidada. Sofria pela dor da saudade do que nunca acontecera. Era o fim. Era sangue, dor. Onde estava a pequenina? Reaja pequenina, reaja.
_ Mamãe! Gritara a pequenina.
Era o som desespero. Não era o planejado. Onde estavam os risinhos da pequenina? A mãe aparecera à porta para a atender. Mas onde estava? Em questão de segundos, nada mais era perfeito. Não era o planejado. E tudo que restava era sua boneca jogada no jardim. Onde estava a pequenina? E, após uma eternidade de segundos que se congelaram em suas essências, encontraram a pequenina. E não era mais ela. Era seu sangue. Sangue que esvarara-se junto a sua vida.
_Acorde pequenina, acorde pequenina! Falava a mãe em meio a soluços.
Nada era planejado. Tudo que esperavam, era o inesperado. E então, perceberam que o Sol havia congelado. Congelado em suas memórias os risinhos da pequenina. Tudo que restava agora era a penumbra. Caminhavam, vagarosamente em direção ao fim e, aguardavam o repentino, o imprevisto. Nada mais era como o de costume, nada era premeditado. O tempo estava acabando. "Tic tac, tic tac": era o som de cada segundo sendo congelado em suas memórias. Era o fim.
_ Acorde pequenina, acorde, o tempo está acabando! Gritava a mãe, sem forças.
A pequenina já estava em sono profundo, era o fim. Mas, a mãe insistia:
_ Pequenina, reaja! Acorde, pequenina, acorde!
E nada mais adiantara. Tudo que restara era o sangue, a saudade do que não vivera. O inesperado acontecera e, não acontecera. Nada podia ser premeditado. E a pequenina se foi. Tudo que se ouvia agora era o som da canção de ninar que a mãe cantava, em prantos:
_ Dorme, dorme pequenina, eu estou aqui, vá sonhar! Vá, vá dormir, pequenina.
Nenhum comentário:
Postar um comentário