Talvez volte. Talvez se vá. Pouco tempo. Para sempre. Talvez eu espere. Talvez nem esteja mais por aqui. Vagando, esperando, chorando. Venha e fique. Me peça que espere. Ou, se vá e não volte. Mas, em última instância... volte. Porém, para ficar.
Esse tempo que insiste em não passar, em retornar. Tudo tão distante, tudo frio. Tudo que já se passou há tempos, ressurge. Vem, volta. A casinha, naquela rua triste e sombria, onde quase tudo era igual, apenas a menina de cabelos lisos e vestido cor-de-rosa era diferente. Sofria sem ao menos saber que tudo ficaria pior. E piorou. Presenciou um infindável tempo de tristezas gigantes, e então teve fim. Passou. Mas, nada foi devidamente enterrado, enfrentado. A casa da rua triste aparece, trazida pelo pássaro dos sonhos que vem contar histórias já vividas. Histórias esquecidas. O pudim na geladeira de domingo. A televisão velha, sem cores. O macarrão ao molho, na panela de tampa torta da mamãe. E, o secreto amor que ali existia. Aquela rua, o barulho da chave, alguém chegava no portão de grades, sempre no mesmo horário. Tic tac, tic tac, tic tac. A hora chegava. Hora em que o barulho se dava. Hora que a tortura começara. Aquele turbilhão de sentimentos ressurgia em seu subconsciente. Acorde, menina, vá pentear seus cabelos lisos. Mas não acorde antes que o sonho se finde e as lembranças sejam enterradas, senão, se deparará com seu futuro. Perceberá a existência do fim dos tempos. Enterre. Acorde. Tic tac, tic tac. O tempo está passando e, sua vida diminuindo. Acorde. Liberte-se. A vida é tão rara!
Andar descalço Limpar a mão na roupa Comer brigadeiro de colher Almoçar miojo dias seguidos Dormir tarde... não acordar tão cedo Brincar de pega-pega Pular corda Correr Ralar o joelho Dormir na cama dos pais Crise de riso Arroz com feijão... quentinho! Leite frio Chocolate derretido Dormir com chuva Festinha de criança... bolo e guaraná! Livrinhos de conto de fadas Músicas sem sentido Patinete Bicicleta Aviãozinho de papel Casinha da árvore
Pessoas são excretas. Nojentas. Perdidas em um mundo que não as merecia. Vagam e destroem lentamente a nave que há milhões de anos as suportam. Pessoas são más, rudes, machucam. Pessoas são egoístas. Sociedade consumista, desumana, hipócrita. O mundo grita, pessoas riem. Gente passa fome, pessoas compram carros. Humanos não amam, não cuidam, destroem, corroem e matam. São grosseiros consigo mesmos, infligem suas próprias leis. Pessoas são bichos, pura excrecência. Vivem 80 anos e levam consigo apenas magoas e matéria. Amem as árvores.
Amor bobo, exagerado, idealizado. Deixa-me triste, entalada, enfurecida, ansiosa. Trás-me delírios, sonhos, inova e machuca. Some. Murcha. Ressurge. Ressurge mais forte, pois só agora é perceptível o tamanho de tal sentimento. Amor bobo, fictício, perfeito. Invade-me se autoridade, deixa-me se reação. Boba, perplexa. Amor impossível, complicado, imperfeito. Amor que fere, que vem e em outrora sumirá sem deixar rastros. Amor que marca. Inesquecível. Amor que desperta o meu lado mais humano, mesmo deixando-me boba.