Num momento de epifania vi que eu estava aqui, bem onde quis estar. Onde desejei, conheci, chorei, lutei para alcançar. Estou exatamente onde escolhi estar. Tenho todas as dores que quis ter um dia. A ansiedade pela prova, as noites sem dormir, trabalhos pra fazer, pesquisa, projeto. Eu estou aqui, onde tantas vezes eu desacreditei que estaria um dia. As portas se abriram, eu entrei. Não sabia a proporção da vitória. Quantas vezes, quando pequena, eu ajoelhei e baixinho pedi que Deus me permitisse ser médica. Quantas vezes o meu pedido, na hora de cortar o bolo, foi "que eu consiga ser médica". Naquela época, eu não tinha nenhuma ideia das dificuldades que enfrentaria. Tantas mudanças, tantas dores, tropeços, saudades, brigas e empecilhos. Do meu jeito, me mantive firme. Em pé. Caminhando. Passos lentos. E aqui estou. Bem onde eu quis estar. Nessa relação de amor e ódio com a medicina, tenho amado mais. Minha visão é tão limitada. Mas, apesar disso, alguma parte de mim está feliz. E sabe que tudo aconteceu exatamente como deveria. Sigo com fé. Com esperança de que tudo se ajeita. A saudade afoga, me tira o ar, aperta o peito, embaça a alma. Quantos cafés serão perdidos. As crianças que crescem, os pais que envelhecem. Os amigos mudam e a vida segue. Como sempre, tem que seguir. Quantas vezes eu serei ausente. Quantas vezes a falta grita em mim. Aquela boca que eu quis perto da minha. Aquele abraço que aperta e liberta. Aquele colo que acalanta o meu ser. Quantos serão apenas fotos e mensagens digitadas na tela de um celular. Quantas noites em claro. Mas eu estou aqui. Escolha minha, em meio a erros e acertos. E eu darei o melhor de mim. Serei o melhor que posso ser. Para mim e para o outro. Por cuidado, por vontade. Passo a passo. Um de cada vez. Sigo em frente. Mas hoje, resolvi sentar e olhar pra toda essa bagunça do meu ser. Tudo está precisamente onde deveria. Ao Universo: obrigada!
Outflow
sexta-feira, 15 de abril de 2016
segunda-feira, 11 de abril de 2016
sábado, 26 de março de 2016
Das minhas profundezas
O tempo passa, os lugares mudam, as dores permanecem. Esses vazios internos gritam. A cada um desses buracos que me acompanham digo que quero mais de mim. Nem sempre a esperança é a ultima que morre.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Não dito
Minha coragem é para sentir. Mas as palavras se esvaem quando a razão segura aquilo que o coração quer gritar. Num embaralhar de letras, visto-me de aço. Respiro. E adquiro a frieza vinda dos amedrontados meandros da mente. O pouco que digo é verdadeiro. Mas, há uma infinidade de frases guardadas que também são.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Menina das bochechas.
E depois de tanto tempo com coração frio e mente vazia, venho aqui escrever pra você, que foi a última que leu esse monte de memórias de um coração partido, guardadas nesse canto que quase se assemelha a um velho caderno de capa rasgada e folhas amareladas.
Venho lhe dizer que devagarinho estou retirando as velhas teias de aranha e as mágoas recolhidas, que se escondem entre as frestas, pro caso de você querer entrar. E mesmo sem entender bem as suas palavras, me arrisco a dizer que, se o problema maior for a falta de coragem, eu a tenho pra nós duas. E se o seu coração precisar de reparos, eu seguro a sua mão, pra tentar fazer com que ele bata com intensidade suficiente para se curar. Se você, numa hora dessas, se permitir... Saiba que o meu coração está aberto para tentar cuidar do seu. E a minha boca, pronta pra morder suas bochechas.
Venho lhe dizer que devagarinho estou retirando as velhas teias de aranha e as mágoas recolhidas, que se escondem entre as frestas, pro caso de você querer entrar. E mesmo sem entender bem as suas palavras, me arrisco a dizer que, se o problema maior for a falta de coragem, eu a tenho pra nós duas. E se o seu coração precisar de reparos, eu seguro a sua mão, pra tentar fazer com que ele bata com intensidade suficiente para se curar. Se você, numa hora dessas, se permitir... Saiba que o meu coração está aberto para tentar cuidar do seu. E a minha boca, pronta pra morder suas bochechas.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Passado sem futuro.
O vinho, o toque, o olhar. O bar, a cama. O beijo, a música. Meu corpo, seu corpo, um só. O sorriso... Tão lindo! Uma pena pensar que tudo começou como deveria acabar. E acabou. A distância esfriou o calor dos corpos, dispersou o perfume e, vagarosamente, faz com que o meu coração se esqueça de toda história que a minha mente havia preparado pra nós. Por fim, a saudade, daquilo que não viveremos, se esvai. E num devaneio qualquer, eu te digo: Adeus, menina! Até o próximo vinho. Porque agora o meu coração está aberto novamente.
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