quarta-feira, 30 de abril de 2014

Não dito

Minha coragem é para sentir. Mas as palavras se esvaem quando a razão segura aquilo que o coração quer gritar. Num embaralhar de letras, visto-me de aço. Respiro. E adquiro a frieza vinda dos amedrontados meandros da mente. O pouco que digo é verdadeiro. Mas, há uma infinidade de frases guardadas que também são.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Menina das bochechas.

E depois de tanto tempo com coração frio e mente vazia, venho aqui escrever pra você, que foi a última que leu esse monte de memórias de um coração partido, guardadas nesse canto que quase se assemelha a um velho caderno de capa rasgada e folhas amareladas. 
Venho lhe dizer que devagarinho estou retirando as velhas teias de aranha e as mágoas recolhidas, que se escondem entre as frestas, pro caso de você querer entrar. E mesmo sem entender bem as suas palavras, me arrisco a dizer que, se o problema maior for a falta de coragem, eu a tenho pra nós duas. E se o seu coração precisar de reparos, eu seguro a sua mão, pra tentar fazer com que ele bata com intensidade suficiente para se curar. Se você, numa hora dessas, se permitir... Saiba que o meu coração está aberto para tentar cuidar do seu. E a minha boca, pronta pra morder suas bochechas.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Passado sem futuro.

O vinho, o toque, o olhar. O bar, a cama. O beijo, a música. Meu corpo, seu corpo, um só. O sorriso... Tão lindo! Uma pena pensar que tudo começou como deveria acabar. E acabou. A distância esfriou o calor dos corpos, dispersou o perfume e,  vagarosamente, faz com que o meu coração se esqueça de  toda história que a minha mente havia preparado pra nós. Por fim, a saudade, daquilo que não viveremos, se esvai. E num devaneio qualquer, eu te digo: Adeus, menina! Até o próximo vinho. Porque agora o meu coração está aberto novamente.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Sobre o depois

Só me falaram sobre as dores. Elas vêm e vão. Realmente. Mas as cicatrizes... Ah! Essas não foram citadas. Pois elas vêm e ficam. Como se sentassem para o chá e depois para o jantar e depois para a vida inteira. Destoam. Marcam a ferida. Crescemos, mudamos, envelhecemos e elas continuam ali, acompanhando-nos a caminho do fim. Torno-no alguém que não gosto tanto assim de ser, mas que não há como não ser. É assim e não se fala mais nisso. Mas se sente. O coração reclama, pede sentido. Mas de sentido ninguém entende.