terça-feira, 27 de março de 2012
Liberte-se!
Esse tempo que insiste em não passar, em retornar. Tudo tão distante, tudo frio. Tudo que já se passou há tempos, ressurge. Vem, volta. A casinha, naquela rua triste e sombria, onde quase tudo era igual, apenas a menina de cabelos lisos e vestido cor-de-rosa era diferente. Sofria sem ao menos saber que tudo ficaria pior. E piorou. Presenciou um infindável tempo de tristezas gigantes, e então teve fim. Passou. Mas, nada foi devidamente enterrado, enfrentado. A casa da rua triste aparece, trazida pelo pássaro dos sonhos que vem contar histórias já vividas. Histórias esquecidas. O pudim na geladeira de domingo. A televisão velha, sem cores. O macarrão ao molho, na panela de tampa torta da mamãe. E, o secreto amor que ali existia. Aquela rua, o barulho da chave, alguém chegava no portão de grades, sempre no mesmo horário. Tic tac, tic tac, tic tac. A hora chegava. Hora em que o barulho se dava. Hora que a tortura começara. Aquele turbilhão de sentimentos ressurgia em seu subconsciente. Acorde, menina, vá pentear seus cabelos lisos. Mas não acorde antes que o sonho se finde e as lembranças sejam enterradas, senão, se deparará com seu futuro. Perceberá a existência do fim dos tempos. Enterre. Acorde. Tic tac, tic tac. O tempo está passando e, sua vida diminuindo. Acorde. Liberte-se. A vida é tão rara!
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