Um menino, magrelo, diferente de todos os outros. Enquanto os outros moleques jogavam futebol ou fazia coisa outra qualquer, ele prestava atenção no tempo. O céu se fechava, nuvens o encobriam. As cigarras começavam a cantar. Mas ainda não tinha conhecimento sobre o que era uma cigarra. Bicho intrigante. Acreditava que aquele som era o canto das árvores, emitido enquanto o vento as faziam dançar. A chuva se aproximava, o pequeno correu mas não foi capaz de fugir: se molhou. Naquele instante sentira medo, temia a chuva, temia o vento e os sons.
Anos depois, quando já era grande o suficiente para saber o que era uma cigarra e já guardava mágoas em seu coração, estava na sacada de seu apartamento, terceiro andar_ onde chegavam a copa das árvores. Tarde tediosa, o som da cigarra surgia novamente. Era um verdadeiro tormento. A chuva se aproximava. Quando as nuvens começaram a derramar as primeiras gotas de água, os seus olhos também fizeram o mesmo. Caia água lá fora, mas chovia dentro dele. Aquela tempestade de sentimentos começaram se esvair de seu corpo no ritmo da chuva. Chuá chuá, lá fora e lá dentro. Lembranças de chuva.
Só então, foi capaz de entender o sentido daquele bicho intrigante que marcara sua infância. Se identificara. A cigarra, passa a maior parte de sua vida embaixo da terra, longe do mundo real, sofrendo processos de metamorfose. Até que um dia, sua casca se rompe e ela está pronta para a vida, para enfrentar a realidade. Mas a verdade, é que ela começará a passar por um outro processo de preparação para a sua morte, regredirá. Entre a vida e a morte, o que vale a pena fazer? A cigarra passará sua pequena vida mundana cantando até que um dia exploda e morra. Então, pelo que vale a pena cantar até morrer? Certamente, o canto da cigarra e a chuva vêm para nos lembrar o que compensa, para nos trazer de volta ao mundo e nos fazer renascer. Tantos nascem e morrem sem ao menos descobrir que têm o poder de cantar por algo nesse mundo! Qual o sentido da existência? A cigarra faz tudo tão bem e tão certo, o que a razão não nos permite fazer. Aja, as vezes, instintivamente e ouça o canto da cigarra, sinta medo da chuva, derrame suas lembranças em forma de lágrimas. Deixe que a água caia lá fora e que chova aí dentro. E quando se tem três esferas nas mãos, mas só poderá segurar duas? Lembre-se do som da cigarra, ouça a chuva. Saberá pelo que vale a pena lutar. Por mais que doa a perda da terceira esfera, saberá que está fazendo o melhor naquele momento. Encare a vida e a morte.
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