sábado, 29 de dezembro de 2012

Fim de ano.

Tanta chuva lá fora. Tanta lágrima aqui dentro. Hoje tá fresquinho. É um daqueles dias de café e cobertor. Pijama, pantufa, um livro e só. De repente, lembro-me de que mais um ciclo está se fechando. Mais um ano se vai. Mais experiências me completam. E com tanta coisa aprendida, não poderia deixar um marco sem registro. A verdade é que tudo renderia um livro. Amei pouca gente. Sorri poucas vezes. Não me adaptei a muitos lugares. Não me entreguei a muita gente. Conheci uns e outros. Uns marcaram. De outros, eu sinto saudade. Percebi que até o blog eu estava, devagarinho, abandonando. Me traz lembranças. Lembranças dela. É que não quero apagar as palavras escritas. Acreditei que algo melhor pudesse acontecer. Acreditei que gente boa pudesse aparecer. As duas coisas aconteceram, mas não da maneira que eu havia imaginado. Nesse ano, saí quebrando todas as expectativas. Eles esperavam a filhinha perfeita. A menininha de esmalte na unha e lacinho no cabelo. Engraçado, né? Uso lacinho e esmalte. Talvez o problema não fosse esse. Talvez o problema seja esse jeito meu. Sei que é difícil de entender. Mas é que ainda não tô nem um pouco afim de me adaptar a esses padrões mundanos. O seu certo é o meu errado. Me espantei com o mundo. me decepcionei com a humanidade. Bebi todas as doses de tequila que eu quis. Abracei todos que desejei. Me declarei. Me apaixonei. Me encantei por sorriso e por jeitinho. Decepcionei a mim mesma. Escrevi coisa ridícula. Fui a todos os bares que pude. Estudei tudo que consegui. Deitei no chão pra ver estrela. Senti saudade daquela que já se foi. Perdoei aquele que me magoou. Tomei sete sorvetes num dia só. Escrevi dois cartões de amor, um de amizade e uma cartinha de irmã. Fiz uma caixinha e dois chaveiros. Desobedeci regras, fui suspensa do colégio. Não me dediquei ao meu sonho tanto quanto deveria. Senti medo de chuva. Fiquei feliz com chuvisco. Durante nove sessões de terapia, só falei de uma menina. Em outras sete, resolvi meus problemas todos. Expressei todas as minhas ideias malucas. Não aceitaram. Peguei a mala, mudei o rumo, não mudei as ideias. Odiei todas as datas comemorativas. Fui a uma cachoeira.  Corri no parque. Assisti poucos filmes. Fui enfermeira-veterinária. Fiz bolo pro aniversário de todo mundo (e quantos bolos!). Aprendi umas receitas novas. Cortei o cabelo. Fiz curso de meditação Raja-Yoga, aula de piano e redação. Aprendi uma filosofia nova. Me distanciei e me aproximei de Deus. Fiz amizade com um hippie. Encontrei uma antiga amiga. Me encantei por um blog. Furei a cartilagem da orelha direita. Tanta banalidade com tanto significado. Aprendi coisa demais. Sinto-me, agora, com mais força, mais garra, mais paciência. Isso. Um dos maiores aprendizados que tive, foi a importância de se ter paciência. A confiança no Universo. A crença. A fé. E o desapego. Pessoas vêm, pessoas partem, pessoas deixam um pouco de si, pessoas ficam com uma parte de nós. Pessoas são más até se entregarem ao amor. Pessoas são duras até que alguém as amoleçam. E para o próximo ano, minha expectativa é iniciá-lo sem expectativas, segurando a bagagem de experiências vividas. Feliz ano novo, roupa branca, sete uvas, gole de vinho, blá blá blá, amém.

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