segunda-feira, 25 de março de 2013

Dor na alma.

Mãe, mamãe, mãezinha. Um ser meu. Essa saudade ficou guardada por tanto tempo e, agora, tudo me lembra você. Ele parece ter escolhido a dedo uma mulher pra gerar a menina que, posteriormente, seria dele. A dor do desapego dói antecipadamente. Consegui entregar o meu maior sonho nas mãos do Universo. Mas entregar a vida dele? Não. Percebo isso e espero ter, ao chegar em casa, o colo mais seguro do mundo. Então chego e percebo, novamente, que ele se foi. Dói tanto. Um egoísmo tão grande. Te querer pra mim. E te guardar em uma caixinha. Um lugar meu e seu. Reserva de colo pra quando precisar, sabe? Três anos e oito meses se passaram. O outono chega e traz as lembranças. Traz as imagens de um corpo que, lentamente, perdia a vida. Já diziam... "Os bons morrem cedo". Aonde você está agora? Será que pode ver tudo que está acontecendo? Quando choro, apago as luzes pra você não ver. Lembro do dia em que percebi que logo você partiria. Pensei na festa de quinze anos, que você não veria. O primeiro namorado, que você não conheceria. A aprovação no vestibular, que você não cemoraria. Ahhh... As formaturas, que você não assistiria. E, por fim, o neto que você não teria. Em cada data, uma nova perda. Os gritos param na garganta. Pra cada sorriso, uma lágrima.  "O todo é sempre maior que a soma das partes". Muitos se aproximam do que você era, mas nenhum é grande o suficiente para preencher esse vazio. A lágrima corre e leva consigo boa parte da minha dor. 

"Que eu não perca a beleza e a alegria de ver, mesmo sabendo que muitas lágrimas brotarão dos meus olhos e escorrerão por minha alma..." - sábio Chico.

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