Não uso salto, não gosto de futebol, nunca começo textos em primeira pessoa e sou comum. Perco-me ao tentar entender o porquê de querer entender todas as coisas, e dentre estas estou eu mesma. Eu alguns instantes penso em apenas aceitar tudo como é, canso de buscar forças para fazer real o que apenas eu posso ver e sentir, imaginário. Utopias. Sim, acredito em utopias, elas me confortam, mas não sou utópica por inteiro, o real também me atrai. Gosto de abraços, amo meu travesseiro e quase nunca tenho paciência com crianças. Gosto do cheiro de chuva (sim, sinto cheiro de chuva), de me molhar na chuva e do período chuvoso. Não suporto calor. Respeito todos, mas não me esqueço dos meus conceitos em nenhum momento: odeio futilidade, infantilidade e o incrível hábito da estagnação, que a maioria das pessoas possui. Amo sorvete, mas às vezes isso me causa séria admiração e, confesso que acharia estranho se alguém que me dissesse que ama sorvete me dissesse também que odeia calor, mas sim, odeio calor e amo sorvete. Escrevo textos que não são entendíveis, durmo de meias e sou dessas que fica de pijamas o dia todo. Apego-me às pessoas e sofro bastante por isso, pois sempre acho que elas nunca gostam de mim e, por esse motivo, acabo me afastando destas. Inclusive, neste momento, estou pensando em uma dessas pessoas a quem me referi. Falo muito. Falo sozinha. Não sei me despedir (nem no telefone), sou insegura e quase sempre tenho a sensação de inferioridade. Amo cozinhar, mas, quando estou com preguiça de praticar o ato da culinária, bebo leite. Sim... leite. Não faço nada de interessante: não toco nenhum instrumento, nunca escrevi um livro, nunca terminei uma borracha, não pinto quadros, não compus uma música, nunca fiz uma serenata (um dia ainda ei de fazer uma). Ouço bandas que ninguém conhece, abraço pessoas que dormem comigo, não sou apegada à família. Gosto de meninas. Não gosto do que a maioria gosta: enquanto a maioria das pessoas quer conhecer NY ou a Disney, eu quero ir à África do Sul, quero conhecer a muralha da China e quero viajar pelas cidades da Europa. Não gosto da Clarice Lispector, não votaria no Obama, não faço questão de assistir os jogos da copa do mundo e não acho que vivemos em uma democracia... ah, já ia me esquecendo, tenho um certo pavor de religiões. E de repente percebi que me empolguei e que não fiz parágrafos no texto e, percebi também que não cheguei em lugar nenhum. Como disse antes: falo muito. E, se eu for prosseguir, vou literalmente escrever um livro e continuarei sem chegar a lugar nenhum. Questionametos.
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