quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Recomeço.

O orgulho, a mágoa, a lágrima derramada. Quão forte deve ser? Tudo ressurgia. Um jogo sem saída, um sentimento deturpado.  Tudo em sua mente: passado, fato, cicatrizes. Não, não eram cicatrizes... ainda eram feridas mal curadas. E era árduo. E sentia queimar em sua alma cada marca, cada lembrança. Tudo girava, incomodava, renascia. Era isso que queria? Assim, sozinha no vazio, sem forma definida? Era isso o que queria: o abstrato.
O passado lhe chamava, a vida decorria daquilo que um dia já fora; e reluzia. Era ódio, orgulho, paixão, e tudo percorria por suas veias. E pulsava em si. Era amor? Era o futuro? Não era nada. Era o vazio, a utopia, o dadaísmo. Era a morte. Era o cais. Era a luz. Uma vida sem sentido.
Era o futuro escorrendo em suas mãos, nada aconteceria. Seria o fim do recomeço, voltara ao nada. Viver, por que motivo? Apenas as paredes a cercava enquanto em sua mente tudo fluía, flutuava. Não sentia nada. As tentativas incansáveis de se reerguer não tinham sentido. O amanhã não existia, mas mesmo sem forças e entregue ao vazio, o queria, o almejava. Não havia motivos, mas espontaneamente a luz ressurgia. Lutava para sair desse abismo: o passado a devorara. Tudo estava perdido.
Sua vida partira, faltava algo que não estaria de volta. Nada a completaria. Tudo tomava forma e revivia. O futuro se aproximava, a chamava. A vida a empurrava e a engolia. Gritava e chorava. Queria ver a luz: seus olhos estavam vendados e suas mãos estavam entrelaçadas em sua amargura. O precipício mais profundo a sugava. Era o passado, lágrima, escolha, magoa, fato, e tudo afogava sua vida. O cais. Tudo ressurgira. O que faria? Como recomeçaria?

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